
O carnaval surgiu na Grécia, antes mesmo do nascimento do menino Jesus (que agora, pra tirar o atraso, acompanha tudo na Sapucaí junto com a Madonna), para agradecer aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção.
Foram os próprios gregos e romanos que, mais tarde, começaram a fazer putaria e encher a cara nessas festas carnavalescas (nada mais justo do que agradecer a fertilidade fazendo putaria), o que as tornaram um fardo pra Igreja por muito tempo.
Depois de muito tempo, as festas passaram a ser toleradas pela Igreja e, para meu azar, vieram junto com os colonizadores europeus para as terras tupiniquins.
Desde então, os brasileiros preguiçosos e semi-nus que os portugueses encontraram aqui passam uma semana do ano fazendo putaria e enchendo a cara, como na Grécia antiga, como se essa fosse a última semana de suas vidas.
E agora, o carnaval acabou e o ano começa de fato para o brasileiro, embora já esteja acabando pra Ângela Bismarchi, Nana Gouvêa, e cia (borrifadinha copiada pelo Rafinha Bastos).
Até hoje não encontro sentido nessa forma que encaramos o carnaval, ouvindo músicas que não gostamos e sequer ouvimos ao longo do ano, olhando bundas e peitos, tentando traçar o máximo de mulheres/homens que pudermos e trocando o banho de água e sabão por banhos de cerveja ou qualquer outra bebida alcoolica arremessada pro alto por outro folião breaco.
Tão ruim quanto o carnaval é o resto da semana que o sucede (quinta e sexta-feira pós quarta-feira de cinzas), quando estão todos se recuperando do porre, tirando o atraso do sono, fazendo as contas de quantas pessoas você conseguiu pegar, tentando lembrar o nome daquela mina que te deu o numero de celular e, o pior de tudo, cantando o hit do verão do respectivo ano (no caso de 2010, o tal Rebolation).
Foi nesse cenário que eu acabei mencionando a alguns colegas que nunca tinha ouvido a música Rebolation inteira, só seu refrão “Rebolation tion, Rebolation...”, e então me responderam: “Mas a música é só isso mesmo!”
E agora, cá estou eu, mal conseguindo me segurar para a próxima folia e brindar à fertilidade do solo e produção.