
Após pedir uma autorização para o Diogo Petrescu, borrifarei hoje usando como base seu texto: "Superestimados. Subestimados", seguindo com a coluna musical toda semana.
Na borrifação em questão, do Diogo, uma discussão se estendeu pelos comentários, após o borrifador referir-se a Kurt Cobain como um artista superestimado. Eu concordo com isso, e farei o post de hoje sobre essa idolatria, na minha opinião, desmedida, à Nirvana e Kurt Cobain.
Compreendo perfeitamente a relevância de Nirvana para o Rock, principalmente nos anos 90, quando a turma de Seattle deu um novo gás, principalmente com o Grunge, movimento no qual o Nirvana é usualmente enquadrado, assim como Pearl Jam, entre outras bandas.
Aí é que está a questão.
O Nirvana muitas vezes é visto como sinônimo deste movimento, mas creio que essas outras bandas tenham tido importância no mínimo igual para o desenvolvimento do rock no início dos anos 90.
Fico feliz de olhar para essa época e ver que a juventude teve mais "atitude" ao idolatrar Kurt do que hoje em dia, quando os miguxos choram juntos ao ouvir emocore, mas acho que até hoje Cobain só tem essa projeção pela tragédia que marcou sua morte.
Afinal, o que era o Nirvana?
Um som simples, técnica e melodicamente falando, mas não por isso um som ruim. Assim como foi o punk, uma música forte, simples e objetiva pra mim foram as marcas do grunge. O resultado: músicas legais. (O borrifador que vos escreve inclusive considera o Nevermind um dos grandes álbuns do rock)
Mas isso, pra mim, não difere o Nirvana de outras bandas da época. O que eles tinham a mais?
Kurt quebrava guitarras no palco... e o que era sinônimo de rebeldia virou marca registrada. Será que essas pessoas nunca viram um show do The Who da década de 70 ou o show California Jam, do Deep Purple?
Tudo bem... a década de 90 precisava dessa rebeldia.
Mas o que marcou mesmo a história do Nirvana foi a tragetória de seu líder. Seu comportamento muitas vezes depressivo, era evidente nas músicas, entrevistas, etc, e Kurt acabou sendo vítima de sua tristeza, cometendo suicídio e entrando para a história como mais um mártir do rock.
Quase não se falam das mortes trágicas de Janis, Jimi, Jim, Bon, Bonham, entre outros, ou, quando falam, é para usar o sermão de como drogas, bebidas e remédios podem acabar com você. Mas com Kurt não. Ele é endeusado e símbolo de uma geração carente de rebeldia. Até hoje, adolescentes pseudo-deprimidos, que deveriam agradecer a vida que têm, se espelham em Kurt por sua tragédia, o que pode soar até como pena desse astro que ainda teria muito a oferecer para o rock.
Por fim, vejo que outras bandas da década de 90 merecem mais atenção, como Mudhoney, e a tragetória de Nirvana e Kurt devam ser vistas de forma um pouco mais criteriosa.
Se bem que... antes Nirvana do que Emocore.
Obs: Valeu Paulo pelo "Abraço Borrifadores!" no final do MTV Debate!