Após a cornetada, hoje iremos falar de um tema mais tragável do que política, geralmente meu assunto preferido, mas já entendi que quanto mais político o tema, menos interesse do pessoal. Ridículo.
Vamos falar do que interessa: Tenho notado desde 2005 uma certa soberba dos torcedores do São Paulo. Com razão. O time foi tricampeão da Libertadores, tricampeão mundial, Campeão Paulista e três vezes campeão brasileiro.
Possui um estádio que irá alavancar as receitas do clube, que provavelmente será a sede paulista da Copa, estrutura com lojas e serviços, além de um museu espetacular lá dentro.
Diante deste cenário, vejo palmeirenses, campeões do Paulistinha, há 10 anos sem um título mais expressivo na parede. Também vejo corintianos, amargurados com as conquistas tricolores e diminuídos diante de um campeonato brasileiro no mínimo suspeito em 2005 e um rebaixamento em 2007.
Dizem que o maior clássico da capital é Corinthians e Palmeiras, por ser o mais antigo, o que supostamente tem maior rivalidade. Em contrapartida, vamos pegar os últimos clássicos. Sempre com o São Paulo, a carga de rivalidade e entrega dentro e fora de campo pareceu maior. Em 2008, os Palmeirenses jogaram gás, teve pixação fora do Palestra para hostilizar a torcida do São Paulo, em franca minoria. Em 2007, o Betão pos fim a um jejum de 4 anos do Corinthians não vencer o São Paulo. Parecia que o time sem cor tinha vencido um mundial, tamanha a vibração, emoção dos caras e repercussão da mídia claramente corintiana.
Neste mesmo ano de 2009, o simples cumprimento de uma regra do regulamento quase se transformou em um acidente diplomático entre as duas diretorias quando o São Paulo F. C. disponibilizou a carga de ingressos entre os dois clubes de apenas 10% para o Corinthians. Ao invés de entender o lado de um clube que possui um estádio e dele faz receitas e o usa a favor de sua agremiação, a diretoria corintiana inflamou os ânimos e deu a entender que o São Paulo era um time elitista, arrogante e fascista. Pegou mal. No clássico houve confusão entre os próprios corintianos, quando um dos alvinegros jogou uma bomba na própria torcida do Corinthians, querendo acertar as dependências do Morumbi, segundo consta na crônica esportiva. Refletindo profundamente, a própria diretoria do Corinthians colaborou para o revés de seus torcedores ao os inflamar contra o São Paulo durante a semana.
Tudo isso mostra claramente uma briga e rixa clara entre as duas diretorias, a verde e a preto e branca, contra o time das três cores. Isso se reflete na rua quando os torcedores tanto de Corinthians como de Palmeiras fazem questão de dizer que o maior clássico da capital é o Derby. Mas não com o objetivo de aumentar a importância deste confronto, mas sim para diminuir a importância do Choque-Rei e do Majestoso.
Pelo que dizem, há projetos de tornar o Derby em uma marca internacional e jogar fora do país, também haveria entrega de um troféu para o vencedor de Corinthians e Palmeiras, em um gesto de amizade. As duas diretorias andam em paz, como os torcedores também demonstraram em Prudente, mostrando como a rivalidade bélica ficou apenas contra o São Paulo. Não critico de forma alguma a paz nos estádios e um bom relacionamento entre as diretorias, eu apenas acho no mínimo curioso que isso apenas ocorreu porque o São Paulo incomoda e muito os “rivais históricos”. Aliás, o tricolor conseguiu fazer com que os maiores rivais, segundo eles, da capital se transformassem em clubes parceiros, enquanto o São Paulo. é hostilizado, criticado e desmerecido entre as diretorias de Palmeiras e Corinthians. Veja os clássicos em campo, a disposição que o pessoal entra contra o São Paulo parece sempre muito maior. E um tento e vitória contra os tricolores sempre é mais comemorado.
É notável o que conquistas e brilho próprio causam de reação nos outros que, pela falta de brilho próprio, tem que se unir para ver se conseguem, ao menos um pouco de destaque.
