Domingo fui ao cinema assistir aquele fime indiano que levou vários Oscars, “Quem quer ser um milionário?”. O filme é bom, mas não é disso que vou falar. Estava lá com meus amigos e amigas quando percebo que ao lado de um deles estava uma figura conhecida, era o pagodeiro, apresentador e ex-presidiário Netinho de Paula. A partir de agora eu ia tentar escrever que nem aquele cara do documentário “Ilha das Flores” fez... contando desde o polegar opositor que faz o ser humano diferente e blá blá blá.... mas haja saco pra fazer isso! Parabéns pra quem fez aquilo ! Aliás, que professor metido a esquerdista nunca passou aquele vídeo para os alunos?Pois bem, falando em esquerdistas, é aí que voltamos ao Netinho. Eu prefiro não julgar ele por sua qualidade musical ou mesmo pelo conteúdo do seu programa na TV. O que importa é que ele fazia as pessoas de baixa renda um pouco mais felizes, e fez isso muito bem enquanto fazia por diversão e alegria. O problema é quando a pessoa resolve achar que é inteligente, que por ser carismático pode se tornar um líder e entrar pra política, mesmo sem conhecer absolutamente nada de política!
No Brasil é assim, quantos professores inteligentíssimos você já teve, tanto na escola quanto na faculdade, e pensou: “Se ele fosse prefeito, governador ou presidente, talvez as coisas estivessem melhores!” – Mas esses, bons e inteligentes, preferem não se misturar com o meio sujo da política. Vira político quem é popular, ou quem acha que é. Vira político quem é influenciado pelos que já estão lá. E esse é o caso de Netinho de Paula.
Pra quem não sabe, Netinho de Paula é filiado ao PC do B. Partido Comunista do Brasil. Um partido que em suas campanhas publicitárias (ué, comunista faz publicidade?) coloca a culpa dos problemas nacionais na burguesia e no sistema capitalista em geral. O mesmo sistema capitalista que proporcionou a Netinho de Paula, a oportunidade de sair do gueto por causa de seu “talento musical”. Que deu a oportunidade a ele de assinar com uma gravadora, que organizou shows e vendeu discos. Que atraiu patrocinadores para os shows, que fez parcerias com grandes lojas vendedoras de discos e empregou centenas ou milhares de pessoas encarregadas de uma distribuição planejada e bem sucedida. Com isso, Netinho ganhou dinheiro, e resolveu ajudar aqueles que não tiveram a mesma sorte.
Netinho então foi pra televisão! AH, a televisão, o meio de comunicação com maior alcance de público no Brasil. E o programa dele só foi ao ar porque produtos ou serviços oferecidos as classes mais baixas, avaliaram que seria conveniente expor sua marca naquele horário. E imagine mais quantas pessoas estavam envolvidas nisso. Mas Netinho é do Partido Comunista. Eu não posso afirmar que ele não sabe o que é comunismo, mas tenho todo o direito de duvidar. E eu duvido.
Toda essa história veio à minha cabeça, pois Netinho estava do lado do meu amigo, no cinema do Shopping Higienópolis com sua bela esposa. O Shopping Higienópolis é um dos mais caros de São Paulo, e eu ainda pensava que Netinho preferia o entretenimento com a sua comunidade, que provavelmente não mora na zona oeste de São Paulo. Durante os trailers, passou “Che”. Aquele mesmo, das fotos estampadas em várias camisetas de playboys. O filme vai tentar contar a história de Che Guevara em cuba, mas eu cheguei a uma conclusão. Nunca ninguém vai saber a verdadeira história de Che. Che tem duas histórias, a dos que odeiam ele, e a dos que acham que ele foi um revolucionário, acham Cult, e inclusive deixam a barba igual a dele. Pois bem, durante o trailer do filme Netinho soltou para sua acompanhante a seguinte frase: “Eu e os manos do PC do B vamo assistir umas 30 vezes esse filme aí.”
O que podemos concluir desse comentário? Que Netinho vai avaliar a veracidade histórica da película? Vai avaliar se o filme foi bem dirigido?
Eu tenho quase certeza que os esquerdistas vão achar que o filme é uma mentira , que a história real não é essa. E como sempre vem aquela história: “O livro é bem melhor do que o filme!” Che não é um livro, mas quase tudo o que conhecemos sobre ele está escrito e não filmado.
Então fica aqui a minha admiração por esse homem. Pagodeiro, apresentador de TV, ex-pobre, ex-presidiário, filiado ao PC do B e freqüentador do Shopping Higienópolis. E viva os nossos políticos! Viva Aldo Rebelo. TOCA RAUL!
Pablo, você usa camisas do CHE ? Se sim, me perdoe... ahhahah