Este mundo cíclico dá sustentabilidade a fenômenos como os modismos. E todos sabem que nosso mundo é focado e voltado principalmente para a imagem e para nosso estranho hábito de querer ser o galo do pedaço. Se você não tem um corpo bacana e um rosto bonito, tem que provar ao que veio e porque veio. Posso entrar no mérito da relação “beleza vs. poder”, mas vou borrifar a respeito deste assunto uma outra hora.
O meu caso hoje é falar das marcas da moda. Vou dizer que gosto de roupas e tento seguir uma linha de vestimenta que reflita as coisas que gosto, como, por exemplo, vestimentas antigas. Mas dentro do modo de enxergar a moda e as roupas, nunca passou na minha cabeça virar outdoor de grifezinhas de marca.
Vou fazer uma linha cronológica:
1998: Ralph Lauren e suas camisas pólos
2000: Guess
2002: Quicksilver
2005: Von Dutch
2006: Armani Exchange ou A/E nas baladas
2008: Abercrombie & Fitch
Por que todo boy gosta de ficar fazendo propaganda de marca que não existe no Brasil? Só para mostrar quanta grana tem? Fui para praia no fim do ano num lugar onde a concentração de playboy era maior do que a de corintianos em Itaquera. Era todo lado a mesma coisa. Abercrombie & Fitch.
Fico imaginando que se eu fizer uma marca, digamos que se chame “Petrescu & Barros” com estampas garrafais em camisetas lisas e colocar a um preço ridiculamente caro para os padrões brasileiros. Bingo! Vou ser a nova sensação da balada. Um monte de paulistanos de cabelinho cacheado, estudante da FAAP, ouvidor de Jack Johnson e que ganhou um SUV coreano do pai estará me vestindo!
A fórmula é a mesma, só muda o nome. Podem ver.
Eu só fico imaginando qual será a nova marca que os outdoors ambulantes endinheirados estamparão em seus corpos no próximo verão.
O mais contraditório é que são os mesmos caras que subestimam o poder das próprias marcas hoje, que adoravam elas outrora. Tente achar um boy com um boné Von Dutch agora. No mínimo ele vai dar risada da sua cara e falar que virou “coisa de baiano”.
Isso só serve para mostrar como esse pessoal tem cabeça de ostra e vai na onda do que está abalando. No fundo, não passam de jovens desesperados por atenção e por auto-afirmação. Provavelmente tenham o órgão reprodutor masculino com tamanho abaixo da média.
Você pode facilmente encontrá-los nas baladinhas cools de São Paulo como Museu e Hotel. Como identificá-los? Eles usam roupas dois números menores para ficarem com os músculos, recém-comprados por anabrochantes, aparentes.
Afinal, quanto maior o carro dado pelo papai e menor o tamanho das roupinhas da moda usada pelo Caco, personagem que reflete essa filosofia, menor o tamanho de ambas as cabeças do rapaz... E maior a visibilidade desses outdoors endinheirados ambulantes.
Ps. 1 A camisa da foto eu fiz para ilustrar a marca Petrescu & Barros de maneira irônica, mas ficou tão legal que eu vou produzir só para borrifar.
Ps. 2 Estou indo para o sul do Brasil contando os centavos, torçam por mim. Relaxem, não vou para o Rio Grande do Sul.
Ps. 3 Pessoal, alavanquem o blog com seus amigos e conhecidos, estamos com planos ousados e em breve teremos novidades. Fiquem atentos...
Ps. 4 Estarei levando um caderno e maquina fotográfica porque provavelmente meu próximo texto é borrifando nas mulheres paulistanas. E nenhum lugar melhor para tirar conclusões do que Santa Catarina. Ou Minas.
Até mais.
D. Petrescu