Gostaria de iniciar esta prosa focada nos homens que lêem este nobre espaço e dele tiram algo para suas vidas, mesmo que seja pouco.O que é a coisa mais chata a se fazer quando se tem dezoito anos?
Provavelmente a grande maioria responderá que é servir o exército.
O exército, segundo consta, deveria proteger o Brasil de ameaças estrangeiras e suas fronteiras, entre outros assuntos de segurança nacional. E, para tais ameaças, convocam jovens para iniciarem sua maioridade servindo à pátria mãe gentil.
Até aí tudo bem, há um dever cívico por trás disso que talvez seja válido, como a coisa de jurar bandeira entre outros pontos. O que eu questiono e muito é o poder de seleção dos futuros homens de verde do Brasil.
Conheci amigos que na época do serviço militar foram obrigados a prestar serviço militar sendo que eles faziam faculdade e tinham uma carreira civil brilhante pela frente. O que me dá mais tristeza é ver que o exército poderia servir muito bem como forma de inclusão social para jovens mais necessitados e, ao invés de cooperar para que este jovem tivesse um instrumento para fazer diferença, acabam selecionando os rapazes brancos de universidades privadas e públicas, sendo que estes são os que menos estão interessados em servir o país.
O esforço para selecionar futuros militares deveria passar pelas favelas, bairros pobres e sem futuro deste país, pois assim teríamos talvez um pouco mais de justiça social neste país que apesar dos problemas, aprendi a gostar. Sei que hoje eles dão chances a estes rapazes menos necessitados, mas o meu ponto é que o exército daveria dar foco total neste jovem.
O que não podemos é ver vagas serem preenchidas por pessoas que tem outras prioridades da vida além do serviço militar, fazendo com que o jovem mal selecionado não tenha motivação para continuar com o trabalho e, em contrapartida, deixar o jovem pobre de cabeça vazia à mercê da vida aparentemente fácil do crime.
O exército brasileiro, no fundo todos sabem, nunca terá missões extremamente arriscadas pela vocação pacífica de nosso país com outras nações.
Nossa guerra é diária e gerada pelos próprios brasileiros. É a nossa famosa guerra civil urbana.
E vamos pensar... Ela começa justamente pela falta de oportunidades a todos. Talvez o bandido de hoje poderia ter sido com 18 anos lembrado pelo exército. Talvez o traficante que está servindo ao dono do morro poderia estar servindo os interesses de nosso país.
É a falta de oportunidades que gera violência...
Ps. Sei que não é um post engraçado, mas é meu dever como cidadão explorar o que está de errado neste país.
Nota de pé de página 2: Ouvi comentários no blog dizendo que meu texto defende que o lugar de negros e pobres devem ser arriscando-se no serviço militar e não em faculdades.
Pelo contrário. Acredito que todos devam sim ter direito a educação e ao ensino superior. Infelizmente não é o contexto de nosso país e isso me deixa extremamente triste e frustrado. O que defendo é que o exército, além de garantir a segurança nacional deveria, pela VOCAÇÃO do país, abrir as portas da INCLUSÃO SOCIAL por meio do serviço militar, mas jamais estou defendendo que a única opção para jovens negros e pobres seja o serviço militar. Não sou e nem tenho a itensão de ser facista neste espaço.