
Mas, vamos à proposta do soneto: o que aconteceu com a música nos últimos 20 anos? A resposta, por mais simples e direta que possa ser, é triste: sim, ela morreu. Morreu, foi enterrada e tem, diariamente, seu túmulo urinado por entusiastas da nova geração MTV. Pauso para tragar um gole de gin e me recordo como se fosse ontem. Early 90´s, quem eram os ídolos e objetos de desejo sexual das mulheres? Os grandes roqueiros, marcados por tatuagens, cabelos compridos e toda sua rebeldia – sempre acompanhada de muito talento e músicas maravilhosas que nos faziam sentir emoções e transformavam inocentes meninos em verdadeiros lobos do apache.
Alguns exemplos mais “pop”, dentro do contexto, são fáceis de ser citados: Axl Rose e Kurt Cobain. Sim, meu amigo, toda mulher já desejou esses dois um dia. Trace um paralelo com os dias de hoje. Quem é o bad boy da atualidade? Justin Timberlake? Faça me o favor! Talvez tenha me inspirado a redigir este texto após ouvir de uma amiga que Justin Timberlake era sexy, pois com sua cara de mau ele deveria ter uma “pegada” especial. Você realmente acha isso de um chicanozinho bem nascido, ex N-sync?
A indústria e a mídia foram as próprias responsáveis por estabelecer esse cenário neo-caótico que tanto me aflinge. Caso você não se recorde, antigamente assistíamos a Beavis & Butt-Head, intercalando intervalos com clipes de Faith no More, Iron Maiden, Mötley Crue, Pantera, Metallica, Living Colour, Megadeth, Black Sabbath e uma porção de outras que eram verdadeiras bandas e viviam em pró da música! Aos poucos, o mundo passava a ser invadido por homéricos lixos. Rostinhos bonitos que pregavam “atitude” e músicas que eram a todo instante utilizadas nas aulas de transaltion, Cultura Inglesa.
A fórmula do sucesso era simples e o dinheiro falava mais alto. Artistas de laboratório começavam a ser fabricados ininterruptamente e a nova juventude, mais alienada do que nunca, passava a engolir qualquer lixo goela abaixo. A nova “black music” & Cia (sim, caso queira ouvir um verdadeiro som das ruas, sugiro Ice Cube) destruiu toda essa geração de forma abrupta. De repente, a música não era mais música e sim, pretexto para falar “sou cool” e “malandro” e usar determinadas vestimentas. A música, na minha concepção, é a linguagem da alma. Ouça Pantera. Mas ouça a valer. E me diga se isso não transmite sentimentos. Nem que seja a fúria! Primal Concrete Sledge. Ouça um belo solo de guitarra. É para te tocar, dar calafrios, emocionar. Isso é a música.
Ah sim, quase me esqueço! Enquanto isso, em nossas terras tupiniquins, bundas e prostituição tomavam conta das ruas com essa medíocre e lamentável onda chamada Axé (que possui ramificações no Funk, Micaretas e outras babaquices de nível aceitável apenas em países de terceiro escalão). Outro dia peguei avião com a “banda” NX Zero. Pois é, meu jovem. Na minha época, a concepção de uma banda (seja ela de rock ou não) era diferente.
Que esse texto faça você refletir e passe uma mensagem de apoio e esperança aos verdadeiros entusiastas da música. Essa geração está perdida. Mas a próxima pode ser salva. Eu vou fazer minha parte! Eduquem suas crianças.
Obrigado,
Pedro Caramuru
* Nota do Diogo Petrescu:
Pedro Caramuru é um jovem paulistano de 23 anos que gosta de dividir seu tempo naquilo que considera fundamental na vida: Belas mulheres, boa música e o São Paulo Futebol Clube.